domingo, 18 de março de 2012


Um bom domingo é aquele em que 2 dos 3 filmes que você assistiu se tornam parte dos seus favoritos.

“We Bought a Zoo” eu esperava que fosse bom, já que é do Cameron Crowe. E  “It's Kind of a Funny Story” foi uma surpresa de tão lindo.


sábado, 17 de março de 2012

Dum spiro spero #2

"E se eu disesse que eu mudei de idéia vc ia ficar bravo comigo?"
"Não, eu quero passar a minha vida inteira com você."

quarta-feira, 14 de março de 2012

O Laço de Fita


Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me
Num laço de fita.

Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem,
Formoso enroscava-se
O laço de fita.

Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual pássaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro
Num laço de fita.

E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minh'alma se embate, se irrita...
O braço, que rompe cadeias de ferro,
Não quebra teus elos,
Ó laço de fita!

Meu Deusl As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes...
Mas tu... tens por asas
Um laço de fita.

Há pouco voavas na célere valsa,
Na valsa que anseia, que estua e palpita.
Por que é que tremeste? Não eram meus lábios...
Beijava-te apenas...
Teu laço de fita.

Mas ai! findo o baile, despindo os adornos
N'alcova onde a vela ciosa... crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças
Mas eu... fico preso
No laço de fita.

Pois bem! Quando um dia na sombra do vale
Abrirem-me a cova... formosa Pepital
Ao menos arranca meus louros da fronte,
E dá-me por c'roa...
Teu laço de fita.





                                    (Castro Alves - Espumas Flutuantes)

terça-feira, 13 de março de 2012

segunda-feira, 12 de março de 2012

Então... Vamos falar de Kerouac?


Eu poderia ficar falando sobre seus livros, sua vida e esse blá, blá, blá de sempre, mas quem me conhece um pouco sabe que não sou muito fã de fazer analises então só vamos falar um pouco sobre o Jack.

Hoje, dia 12 de março de 2012, Keroauc estaria fazendo 90 anos, já assim percebemos que ele era um autor novo. Fez parte fundamental da geração beat.

Temos como destaque seu livro “On The Road”, em que Sal Paradise (Jack Kerouac) conta sobre a sua baita viagem junto com Dean Moriaty (Neal Cassady). O que poderia ser simplesmente uma narração se torna algo incrível com trechos que me emocionam cada vez que releio. “On the Road” é só o ponto de partida para alguém (como eu) que gostaria de cada vez mais se aprofundar na obra de Jack.

O que me agrada muito são suas descrições, lendo seus livros podemos sentir exatamente o que ele queria dizer, ele não poupa detalhes, palavras para isso.

Como a solidão pode ser descrita? 

Através de seus livros é possível ver essa descrição! Vemos que um ser humano só se conhece sozinho, mas que isso em exagero pode chegar a loucura.

Kerouac foi uma das pessoas que viveram a vida, a conheceram muito bem. Gosto de pegar “On the Road” e comparar com “Big Sur” nessas duas obras vemos, primeiramente, o menino Jack , depois, o homem Kerouac. 

Se um dia eu pudesse agradecer a alguém pelos meus textos e momentos de inspiração, Kerouac seria um deles, seria mais uma entre os muitos fãs a dizer “Thanks, Jack.”

E esse é o ponto. O que a obra de Kerouac trouxe para mim  é indescritível, esta um pouco em tudo que faço, escrevo, penso e ajo,  por isso nessa tarde de março estou aqui, tentado por meio de palavras fazer algo que sei que não vou conseguir: demonstrar o amor e gratidão que tenho por esse escritor.

É isso que posso fazer, para finalizar esse post (que considero incompleto) deixo algumas palavras dele, que espero que desperte em você o que despertou e mim e que me faz ler cada livro dele como se estivesse faminta e que me deixa com gostinho de quero mais.

“Minha obra encerra um livro de vastas proporções como o de Proust, com a diferença que as minhas memórias são escritas na corrida em vez de mais tarde doente numa cama. Por conta das objeções das minhas editoras eu não pude usar o mesmo nome para o mesmo personagem em obras diferentes. On the Road, Os Subterrâneos, Os vagabundos Iluminados, Doctor Saz, Maggie Cassady, Tristessa, Desolation Angels, Visões de Cody e os outros, incluindo este Big Sur, são apenas capítulos na grande obra que eu chamo de A lenda de Duluoz. Na minha velhice, pretendo juntar toda a minha obra e reinserir meu panteão de nomes regulares, encher a prateleira de livros e morrer feliz. Tudo isso forma uma enorme comédia vista pelos olho do pobre Ti Jean (eu), também conhecido como Jack Duluoz, o mundo de ação frenética e loucura e também de gentil doçura vista pela fechadura de seu olho.”

JACK KEROUAC (1922-1969) 


 @tehquintela

quarta-feira, 7 de março de 2012

Unknown Pleasures.


Hoje eu estava andando (sim, esse post vai ser em primeira pessoa), indo para o trabalho, dia normal. Usava a camiseta do Joy Division, ouvia Thiago Pethit e andava até que um homem de mais ou menos 40 anos, com uma daquelas toquinhas de proteção para o cabelo sai da padaria que eu passava na frente:

- Bonita camiseta! Joy Division não é?
-É, isso mesmo, capa do álbum...

Tiro o fone e continuo a andar.

-Isso ai que eu gosto! Joy Division, System of Down. Ian Curtis cantava muito!
- É... E depois teve o New Order, gosta?
-É bom, mas não é como o Joy Division. 

Então o homem entra por outra entrada na padaria.

-Tchau.
-Tchau.
Ás vezes nos surpreendemos com a vida, outras vezes nos surpreendemos com pessoas.

Unknown Pleasures.




@tehquintela


segunda-feira, 5 de março de 2012

Capítulo VIII Razão contra Sandice


Já o leitor compreendeu que era a razão que voltava à casa, e convidava a Sandice a sair, clamando, e com melhor jus, as palavras de Tartufo:

La maison est à moi, c´est à vous d´en sortir.*

Mas é sestro antigo da Sandice criar amor às casas alheias, de modo que, apenas senhora de uma, dificilmente lha farão despejar.É sestro; não se tira daí; há muito que lhe calejou a vergonha. Agora, se advertirmos no imenso número de casas que ocupa, umas de vez, outras durante as suas estações calmosas, concluiremos que esta amável peregrina é o terror dos proprietários. No nosso caso, houve quase um distúrbio à porta do meu cérebro, porque a adventícia não queria entregar a casa, e a dona não cedia da intenção de tomar o que era seu. Afinal, já a Sandice se contentava com um cantinho no sótão.
-Não, senhora - replicou a Razão - estou cansada de lhe ceder sótãos, cansada e experimentada, o que você quer é passar mansamente dos sótãos à sala de jantar, daí à de visitas e ao resto.
-Está bem, deixe-me ficar algum tempo mais, estou na pista de um mistério...
-Que mistério?
-De dois - emendou a Sandice-; o da vida e o da morte; peço-lhe, só uns dez minutos.
A Razão pôs-se a rir.
-Hás de ser sempre a mesma coisa... Sempre a mesma coisa... Sempre a mesma coisa...
E, dizendo isto, travou-lhe dos pulsos e arrastou-a para fora; depois entrou e fechou-se. A Sandice ainda gemeu algumas súplicas, grunhiu algumas zangas; mas desenganou-se depressa, deitou língua de fora, em ar de surriada, e foi andando...

*"A casa é minha, vós é que deveis sair."


Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis